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MURAL

Cinema

Matogrossense

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A velhice Ilumina o Vento

Dir: Juliana Segóvia, 2022

 "A Velhice Ilumina o Vento" é um curta-metragem brasileiro que propõe uma reflexão sensível e crítica sobre os paradigmas da velhice, amplificando a voz e dando visibilidade a experiências que frequentemente ficam à margem. O filme conta a história de Valda (interpretada por Benedita Silveira), uma mulher negra, idosa e trabalhadora doméstica de Cuiabá, que, ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios e a marginalização social, exibe uma força e resiliência que subvertem os estereótipos associados à terceira idade. A narrativa destaca não apenas as lutas diárias vividas por pessoas em contextos de vulnerabilidade, mas também celebra a riqueza cultural e a potência da memória acumulada com os anos. 

 A direção e o roteiro são de Juliana Segóvia, cineasta cuiabana que se inspira em sua pesquisa acadêmica, realizada durante seu mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, para abordar temas muitas vezes negligenciados pela grande mídia. Durante sua pesquisa, Juliana mapeou os "bailes da terceira idade" em Cuiabá e percebeu como esses encontros sociais são palco de afirmação, resistência e expressão cultural. A personagem Valda, inspirada em uma mulher real (sua amiga Dalva), representa essa mulher forte e resiliente, cuja trajetória pessoal ilustra a subversão dos paradigmas da velhice estigmatizada. 

O filme também se destaca pela sua dimensão política e de resistência cultural. Produzido de maneira independente pelo Coletivo Audiovisual Negro Quariterê—um grupo que aposta na inclusão de profissionais não-brancos em todas as funções do processo audiovisual—"A Velhice Ilumina o Vento" se posiciona como uma importante ferramenta de afirmação da identidade e da luta contra as desigualdades históricas. Essa iniciativa contribui para ampliar o debate sobre a representação e a representatividade na arte e na mídia, colocando em foco a riqueza das experiências das mulheres negras e periféricas de Cuiabá.  

Em 2022, o curta figurou entre uma das grandes atrações da 21ª MAUAL, mostra audiovisual organizada anualmente pelo Cineclube Coxiponés. Na ocasião, o filme foi aclamado pelo júri técnico e popular levando diversas premiações, inclusive o de atriz revelação para Benedita Silveira, que deu vida a Valda, protagonista da trama representada no mural.

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PS. Glauber: Te vejo em Cuiabá

Dir: Glória Albues, 1987

"Ps. Glauber: Te Vejo em Cuiabá" é um curta documentário da diretora e roteirista Glória Albues que remete à memória e à influência do cineasta revolucionário Glauber Rocha, um dos grandes nomes do Cinema Novo brasileiro. Produzido por volta de 1986, em um contexto marcado pela Mostra Tempo Glauber, uma iniciativa realizada pelo SESC em várias capitais do país, o filme reúne dois artistas populares (Liu Arruda e Meire Pedroso, retratados no mural) que, com muita irreverência, percorrem as ruas de Cuiabá para entrevistar os moradores sobre o legado do grande cineasta. 

Essa produção se destaca por captar as vozes autênticas da população local, que expressa, de maneira informal e bem-humorada, como a obra e a filosofia de Glauber Rocha impactam não só o meio cinematográfico, mas também a cultura popular e o imaginário social. Ao usar uma linguagem coloquial e uma abordagem de rua, o curta reforça a ideia de que a influência dos grandes cineastas ultrapassa os limites dos circuitos artísticos convencionais, penetrando no cotidiano e na identidade dos cuiabanos. 

A proposta de "Ps. Glauber: Te Vejo em Cuiabá" vai além de uma simples homenagem: ela transforma o encontro entre o culto ao cinema e a realidade urbana em um momento de diálogo direto com a comunidade. Essa mistura entre o ambiente do cineclubismo e a espontaneidade das praças e ruas de Cuiabá revela, de forma singular, como o cinema pode ser um instrumento de memória e de crítica social, fazendo com que um ícone como Glauber Rocha se perpetue vividamente na memória coletiva. 

Filme disponível no YouTube: 

https://www.youtube.com/watch?v=qYGbYumroiY&t=153s

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A cilada com os cinco morenos

Dir: Luiz Borges, 1999

"A Cilada com Cinco Morenos" é um curta-metragem brasileiro dirigido por Luiz Borges e lançado em 1999. Trata-se de uma obra híbrida, que mescla elementos de ficção e documentário, criando uma narrativa inovadora e experimental que dialoga com o universo do cinema independente. 

A trama acompanha a história de um casal de jovens cujo passeio acaba sendo surpreendido por uma interrupção inesperada: eles precisam se deslocar até a chapada para buscar o grupo musical "Cinco Morenos", que se apresenta na cidade de Cuiabá. Ao longo desse percurso, que assume a forma de um road movie ambientado na paisagem da baixada cuiabana, a chegada de um músico estrangeiro complica os acontecimentos, dando à narrativa um caráter de cilada, no sentido de que os personagens se veem enredados em uma situação cheia de reviravoltas e imprevisibilidade. 

O filme se destaca justamente por essa combinação de humor, crítica social e poética visual. Ao explorar o contraste entre o ambiente rural e urbano, a obra convida o espectador a refletir sobre as nuances das relações culturais e sociais na região, ao mesmo tempo em que celebra a riqueza da experiência local. Essa abordagem híbrida que funde o documental com o ficcional permite uma visão multifacetada do cotidiano cuiabano, ressaltando tanto seus desafios quanto sua vitalidade cultural. 

"A Cilada com Cinco Morenos" integra, assim, um movimento mais amplo do audiovisual brasileiro que, sobretudo na virada do século, procurou registrar e reinterpretar as experiências e disparidades de realidades regionais. Essa obra, com seu estilo irreverente e criativo, se tornou uma referência dentro do circuito do cinema independente, refletindo a importância do cineclubismo e da resistência cultural nas produções locais. 

No mural, o filme é representado pela figura do seu Jairo (homem sorrindo na cadeira de fio), integrante do grupo "Os cinco Morenos".

Filme disponível no You Tube: 

https://www.youtube.com/watch?v=C5lmiSCf_Cc

 

Fontes:

https://quaritere.com.br/site/agitando-a-resistencia-negra-3a-edicao/a-cilada-com-cinco-morenos/ 

https://canalcurta.tv.br/filme/?name=a-cilada-com-5-morenos1 

A oitava cor do arco íris

Dir: Amauri Tangará, 2004

"A Oitava Cor do Arco-Íris" é o primeiro longa de ficção genuinamente produzido em Mato Grosso (desde artistas, cenários, técnicos,  etc.). Lançado em 2004 e dirigido por Amauri Tangará, o filme mescla elementos do drama e do universo familiar em uma narrativa tocante e inspiradora. A história gira em torno de Joãozinho (representado no mural ao lado de sua cabrita), um menino humilde do interior do Mato Grosso que se vê diante de uma difícil missão: sua avó, carinhosamente chamada de Didinha, adoeceu gravemente e necessita de remédios para sobreviver. Diante da situação, Joãozinho decide colocar em prática uma atitude corajosa e improvável, vendendo seus pertences, inclusive a sua cabrita de estimação – para conseguir os recursos necessários, o que o obriga a deixar o aconchego de sua comunidade e enfrentar os desafios e imprevistos da capital, Cuiabá. 

A trama utiliza essa jornada para explorar os contrastes entre o mundo rural e o urbano, evidenciando as dificuldades que cercam os menos favorecidos, ao mesmo tempo em que celebra a determinação e o espírito resiliente da infância. Ao longo do percurso, o protagonista se depara com diversas situações que expõem as complexidades sociais e econômicas, refletindo uma crítica sutil às disparidades existentes entre a vida no interior e a dinâmica de uma grande cidade. O título do filme, "A Oitava Cor do Arco-Íris," pode ser interpretado como uma metáfora para a possibilidade de algo novo e além do convencional, um brilho de esperança e transformação emergindo da união dos tons já conhecidos. 

Com uma duração de aproximadamente 80 minutos, o filme se caracteriza por uma narrativa simples, porém cheia de sentimentos, que consegue, com sensibilidade, retratar as dificuldades e a coragem dos pequenos diante de grandes desafios. O elenco, que inclui nomes como Diego Borges interpretando Joãozinho, contribui para a autenticidade de um enredo que ressoa com o público por sua honestidade e conexão com a realidade social de muitos brasileiros. 

"A Oitava Cor do Arco-Íris" é, portanto, muito mais do que uma simples aventura de um menino; é um retrato das lutas diárias, do amor familiar e da esperança de que, mesmo diante de adversidades, as quais muitas vezes ultrapassam as fronteiras do lar, a coragem e a determinação podem iluminar o caminho para a superação.

Trailler do filme disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=SA-7ByH0hGM

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Divino Xavante

Nascido em 1974, Xavante da aldeia de Sangradouro (município de General Carneiro, MT), Divino Tserewahú seguiu o trabalho iniciado pelo irmão e começou a aprender sobre cinema em 1990, quando a comunidade Xavante de Sangradouro recebeu sua primeira câmera de filmagem (VHS).

 

Então começam as produções e registros de, sobretudo, cerimoniais para o público da aldeia. Sua primeira atuação profissional na área foi como parte da equipe do Programa de Índio, série de TV realizada na Universidade Federal do Mato Grosso dirigido por Glória Albués junto a Vincent Carelli entre 1995 e 1996. Em 1997, Divino participou do primeiro encontro e oficina de formação de cineastas indígenas do Brasil, organizado pelo Vídeo nas Aldeias e realizado no Parque Indígena do Xingu.

 

Já entre 2001 e 2002, por intermédio do Vídeo nas Aldeias, ele conseguiu uma vaga para estudar na Escola Internacional de Cinema de San António de Los Baños, em Cuba, onde se capacitou nas técnicas de edição, roteiro de documentário e ficção, animação, entre outras.

Diversos dos filmes de Divino Tserewahú receberam prêmios em festivais de cinema nacionais e internacionais. Estes trabalhos, junto a sua trajetória pioneira no âmbito da realização cinematográfica indígena, têm sido objeto de estudo acadêmico, dando origem a teses e dissertações realizadas em diferentes instituições brasileiras. Em 2017, Divino Tserewahú esteve no Cineclube Coxiponés para o lançamento do longa-metragem “O Mestre e o Divino”, dirigido por Tiago Campos. O filme aborda o cruzamento de olhares acerca dos povos indígenas e das missões religiosas a partir da terra indígena Sangradouro (MT) por meio das perspectivas dos cineastas Adalbert Heide e do próprio Divino Tserewahú, que registraram os bastidores da catequização indígena no Brasil.  

 

Fonte:
Embaúba Play: https://embaubaplay.com/diretor_s/divino-tserewahu/

CINECLUBE COXIPONÉS - PROCEV - UFMT

AV. EDGAR VIEIRA, S/N, BOA ESPERANÇA
(Ao lado da Caixa Econômica Federal)

cinecoxipones@gmail.com
(65) 3615 8349

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